Sistemas abundantes: inspirações da agricultura natural

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido.
Na busca do tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.
Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.
Tao Te Ching.

 

Já faz algum tempo que, em minha tagarelice, venho repetindo a frase de Scott Pittman, nos videos e postagens deste Guia de Permacultura: Se você está trabalhando demais ainda não pensou o suficiente“.

Quando eu achava que havia entendido tudo sobre ela, eis que vem a contemplação da agricultura natural, mãe da permacultura, para me ampliar ainda mais as possibilidades de interpretação.

É que na filosofia da não-interferência, das ações mínimas com máximos resultados, Fukuoka, criador da agricultura natural, conseguiu colheitas muito superiores aos métodos tradicionais e à agricultura mecanizada.

Ele levou ao limite as ideias de “trabalhar com a natureza e não contra ela” e de “deixar que os sistemas naturais manifestem sua própria evolução”. Na verdade, ele inspirou Bill Mollison (um dos criadores da permacultura).

 

Quer alguns exemplos de como se faz isso? Veja abaixo.

 

Clique na imagem para ver o video
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 – “Ervas daninhas”: elas se tornam “ervas amigas”quando sabemos observar e perceber suas variadas funções nos sistemas, tais como a produção de biomassa, adubação verde, o uso como plantas alimentícias não-convencionais e medicinais, sua resistência e pioneirismo em áreas degradadas, a cobertura do solo para preservação e criação da microvida, a atração de insetos e pássaros que beneficiam o equilíbrio sistêmico afastando “pragas e predadores”

– “Cobertura VIVA”:  além da cobertura morta, já difundida até no meio do agronegócio como “plantio direto na palha”, podemos falar também em cobertura viva. Algumas plantas fixam nitrogênio no solo com suas micorrizas, formando uma teia de raízes subterrâneas, que beneficiam a umidade e ocupam diferentes camadas abaixo da terra (assim como é em cima é em baixo). Lá em casa as mudas de goiaba, depois de um pouco crescidinhas, preferem ficar cobertas por capoeraba (matinho) do que serem capinadas em volta. E por que? Porque árvores como a goiaba ocupam extratos mais profundos do solo do que os matinhos com suas raízes superficiais. A natureza coopera. Quem vê a competição somos nós.

– ARAR não: nada de arar, afofar, revirar. O solo do organismo agrícola vai sendo formado da mesma forma que nas florestas, afinal, aprendemos observando a natureza e sua perfeição. Camadas sucessivas da vida que morre (isso é ouro negro!) formam o horizonte orgânico do solo, o horizonte vivo. E é por isso que os sistemas baseados na natureza produzem mais e mais, ano após ano. As colheitas só melhoram. E a dependência de adubos e material importado só diminui. É lindo!

– Encontrar nichos e oportunidades em lugar de problemas e grandes intervenções. Semear (MUITO): Ao invés de arrancar o mato, criamos uma percepção da sucessão e dos diferentes tempos de crescimento de cada planta, observando as oportunidades que surgem em cada intervalo do ciclo de vida de cada espécie. Nós imitamos a natureza e vamos inserindo nossos cultivos nos espaços próprios. Envolvendo as sementes em pellets (bombas de sementes), podemos evitar que sejam comidas pelos pássaros e cupins e elas aguardam assim com segurança pelo seu tempo de germinação.

Mais detalhes sobre essa visão de mundo transformadora de nossas mentalidades, acostumadas a escassez e ao excesso de trabalho, nós damos em nossos cursos online. Cadastre-se para saber mais!

2 Comentários


  1. Tenho uma propriedade quase toda reflorestada, sigo o vosso princípio!
    Esse material e importante pra mim.
    Obrigada
    Sirlei

    Responder

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